Os CTT vão fazer a sua estreia bolsista no dia 5 de dezembro mas o período de subscrição das ações decorre até 2 de dezembro. A empresa é líder em Portugal, tem um baixo risco e distribui bons dividendos. Dado o intervalo de preços, a ação está entre barata e correta, mas aconselhamos a subscrição.
Líder em Portugal - Após vários anos sem haver uma Oferta Pública de Venda (OPV) na bolsa nacional, a última tinha sido a EDP Renováveis em 2008, os CTT vão entrar em bolsa.A empresa é a líder histórica do setor postal em Portugal, com uma quota de mercado de 95%, detendo a concessão exclusiva do serviço postal universal até ao final de 2020. Os CTT prestam ainda serviços de expresso e encomendas, detendo uma quota de 29% em Portugal e estando presentes também em Espanha e Moçambique. Além disso, o grupo opera ainda nos serviços financeiros (distribuição de produtos de poupança e seguros, serviços de pagamento e cobrança, etc), tendo atualmente pendente um pedido de autorização ao Banco de Portugal para a constituição de um banco postal. A atividade de serviços financeiros só pesa 8% no volume de negócios (VN) mas é a mais rentável.
Contexto setorial - O contexto do setor não é o mais favorável, dado que o tráfego postal em Portugal tem diminuído a um ritmo de 5,3% ao ano no período de 2008 a 2012. Esta tendência tem-se refletido num contínuo recuo do VN dos CTT nos últimos anos, já que o crescimento das outras atividades (expresso e encomendas e serviços financeiros) não tem compensado a quebra do negócio histórico. O crescimento da Internet, das comunicações móveis e eletrónicas é uma tendência estrutural que tem originado uma quebra na utilização do correio físico. Em contrapartida, a adoção de novas tecnologias tende a levar os consumidores a utilizar cada vez mais os canais online para efetuar compras, fazer pagamentos, etc, o que é uma oportunidade para os CTT crescerem ao nível das encomendas associadas ao comércio eletrónico.
Pontos fortes - Um dos maiores trunfos da empresa é a distribuição de bons dividendos. Se for cumprido o que está previsto (distribuição de mais de 90% dos lucros), o rendimento líquido do dividendo será de 6% em 2013 e 4,7% em 2014, considerando o valor médio (4,81 euros) do intervalo de preços predefinido para a oferta (4,10 a 5,52 euros por ação), sendo um dos mais elevados da bolsa nacional.Outro dos pontos fortes dos CTT é a sua boa solidez financeira, já que quase não tem dívida financeira e detém uma forte posição de liquidez no seu balanço (a rubrica “caixa e equivalentes” corresponde a 52% do ativo). Além disso, apesar da quebra do VN, os CTT têm aumentado a geração de cash-flow e melhorado a sua rentabilidade operacional à custa de reduções de custos, sobretudo com pessoal (não substituição das pessoas que se reformam), sendo uma das empresas europeias do setor com margem EBITDA mais alta, acima de 14%. A redução de trabalhadores deverá manter-se nos próximos anos, até porque a estrutura do quadro de pessoal é relativamente envelhecida.Por fim, apesar do mercado postal ter sido liberalizado em abril de 2012, a posição de liderança dos CTT nos mercados de correio e encomendas é uma vantagem competitiva importante face à concorrência, permitindo beneficiar mais facilmente de significativas economias de escala.
Pontos fracos - Para além de operar num setor em declínio estrutural, os CTT têm ainda uma excessiva dependência de alguns grandes clientes, entre eles o Estado, e do mercado nacional, que é responsável por quase 90% do VN do grupo. Logo, a atual conjuntura económica negativa em Portugal deverá continuar a afetar a procura dos serviços prestados pelo grupo e, consequentemente, os resultados da empresa.
Outro fator de risco é o facto de não se conhecer bem a estratégia futura do grupo, nomeadamente a nível da sua eventual expansão internacional e da atividade de serviços financeiros, caso o banco postal não possa ser criado.
Detalhes da operação - A privatização dos CTT será feita mediante uma Oferta Pública de Venda (OPV) e uma venda direta a investidores institucionais. O número máximo de ações que o Estado irá alienar corresponde a 70% do capital da empresa (14% destinados à OPV) e o intervalo de preços predefinido varia de 4,10 a 5,52 euros por ação. O preço final apenas será conhecido a 3 de dezembro, um dia antes da sessão especial de bolsa para apuramento dos resultados da oferta.No que toca à OPV, o período de subscrição decorre entre as 8h30m do dia 19 de novembro e as 15h00 do dia 2 de dezembro, sendo que as ordens de compra enviadas até dia 25 (inclusive) beneficiam de um coeficiente de rateio 100% superior. Todas as ordens só podem ser revogadas até ao dia 26 de novembro (inclusive) e a atribuição das ações será feita em múltiplos de 10. Ao contrário do habitual, a operação terá apenas duas tranches: uma para o público em geral, cuja subscrição máxima é de 25.000 ações por investidor, e outra para trabalhadores dos CTT, que podem subscrever até 2500 títulos. Estes últimos beneficiam de um desconto de 5% sobre o preço que vier a ser fixado mas não poderão vender as ações durante 90 dias (período de indisponibilidade vigorará até 5 de março de 2014). Logo, não há a tradicional tranche de pequenos subscritores, que costumava beneficiar de um desconto.Realce ainda para o facto de a operação não conferir direito a qualquer benefício fiscal em sede de IRS, tal como já tinha acontecido nas OPV referentes às privatizações da Galp Energia (em 2006) e da REN (em 2007).
Avaliação e conselho - Nos primeiros nove meses do ano, os CTT acumularam um lucro de 0,30 euros por ação, uma subida de 28% face a igual período de 2012 originada sobretudo por reduções de custos e por um elevado montante de provisões em 2012. O VN manteve a tendência de queda (-2%), embora menos acentuada fruto de uma política de aumento dos preços de alguns produtos e serviços. Para 2013, 2014 e 2015, prevemos lucros de 0,34, 0,35 e 0,37 euros por ação, respetivamente.A amplitude do intervalo de preços (4,10 a 5,52 euros) é grande, pelo que avaliamos a ação entre barata e correta. O risco do título (2 numa escala de 1 a 5) é baixo e o rendimento do dividendo é elevado. Assim, se tiver disposto a correr o risco de investir em ações e numa perspetiva de longo prazo, aconselhamos a subscrição dos títulos dos CTT, de preferência até 25 de novembro para beneficiar de um coeficiente de rateio superior.
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